quarta-feira, 3 de março de 2010

Reajuste Salarial

Camaradas,

Chegamos finalmente ao momento decisivo das negociações com o Governo do Estado sobre o reajuste. Todos lembramos que entre agosto e outubro de 2009 fizemos assembléias, marchas, panfletagens, doações de sangue e mobilizações para aprovarmos o cumprimento da Lei 273/04. Desde o início o Cel Marcondes, Comandante Geral da Polícia Militar, se colocou como intermediador das negociações. Desde o início que nos disse que o Estado tinha apenas 30 milhões de reais para negociar com os Policiais e Bombeiros Militares.

Deliberamos em Assembléia Geral aceitar a proposta do estado e rever os índices da Lei 273. Assim fizemos. Apresentamos a tabela onde revisamos os índices, distribuindo entre os Praças, 26 dos 30 milhões negociados. Os outros 4 milhões de reais foram divididos com todo o efetivo da Policia e Bombeiros, e tudo aconteceu com o conhecimento e acordo do Comandante Geral.

O tempo passou, 2009 acabou, e o projeto lei do reajuste não chegou na Assembléia Legislativa. Começamos 2010 com a preocupação da necessidade de organizar novas mobilizações, desta vez, mais contundentes para obrigar o Estado a cumprir o acordo fechado em outubro.

Percebemos que todas as vezes que marcávamos uma Assembléia Geral, o Comandante da Polícia Militar nos convidava para alguma reunião e sempre trazia algum fato novo, alguma estória nova e, com isso, ganhava tempo. Agora não foi diferente. Tivermos Assembléia Geral dia 6 de fevereiro onde deliberamos o prazo limite para a nossa paciência. Fevereiro acabou e nada de acordo.


Eis que aconteceu algo de novo. Com Assembléia marcada para o dia 2 de março, fomos chamados para uma reunião com a Governadora no dia 1, véspera da Assembléia. Participaram da reunião a Governadora, os Secretários de Segurança, de Administração, da Casa Civil, o Comandante da Polícia Militar, o Comandante do Policiamento Metropolitano, a Deputada Federal Fátima Bezerra que intermediou a reunião e garantiu a participação de todas as entidades representativas, os presidentes das Associaçoes de Subtenentes e Sargentos da PM, de Cabos e Soldados, de Bombeiros, de Praças do Seridó, Mossoró e região, Agreste e de Oficiais. Na conversa constatamos que a Governadora é muito mal assessorada no que se refere a Segurança Publica. Na reunião a Governadora assumiu o compromisso de remeter a mensagem com o reajuste para a Assembléia Legislativa no dia 2 para submeter a votação e assim o fez. Na tarde da terça-feira a mensagem chegou à Assembléia com uma desagradável surpresa.

Além do acordo que negociamos com o Estado, veio, no mesmo texto, a criação da Gratificação de Comando, Chefia e Direção para os Oficiais. Vejam bem. Negociamos com o Estado os 30 milhões para toda a categoria. Os Oficiais, representados por sua Associação e, naturalmente pelo Comando da Polícia Militar, negociou a bagatela de 5 milhões de reais apenas para eles. Só para ilustrar melhor a distorção: foram destinados 30 milhões de reais para os mais de 10.000 praças Policiais e Bombeiros Militares e 5 milhões para menos de 1000 Oficiais da Polícia e dos Bombeiros.

Levamos uma “bola nas costas” dos Oficiais, do Comando e do Governo do Estado. É verdade que a gratificação não interferiu no que negociamos. Mas é verdade também que se esses 5 milhões tivessem entrado no montante negociado, todo o efetivo da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros seria contemplado.

Aprendemos algumas lições com esse processo:

1 – Não existe possibilidade de negociação de salário com o Comando da Polícia. Temos que negociar direto com o Governo do Estado;

2 – Não existe possibilidade de negociação junto com os Oficiais. Durante todo o ano de 2009 buscamos nos aproximar da Associação de Oficiais com o intuito de somar forças nas mobilizações. A proposta de uma gratificação de Comando nos mostra por A + B que temos interesses divergentes e que a composição é inviável pois, historicamente, e a última negociação confirma isso, os Oficiais negociam nos bastidores e garantem seus interesses em detrimento do interesse da maioria do efetivo da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar.

Vamos a luta Camaradas! Hoje e amanhã vamos ocupar a Assembléia Legislativa e acompanhar a votação do nosso reajuste.


Rodrigo Maribondo
Presidente ABM-RN.

9 comentários:

  1. È camaradas esses oficiais são mesmo desunidos. somos duas categorias diferentes.

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  2. Soldado deve ser a melhor profissao do mundo. Escala folgada e salário gordo, imagina o cara ganhar 3,5mil pra trabalhar 2-3x por semana e ficar o resto do tempo em casa domrindo... responsabilidades zero. quando abre concurso pro bombeiro?

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  3. Ok companheiros camo cabo da polícia militar
    da reserva remunerada, mas ainda nativa eu sempre
    dísse até para coronel que a coisa só fonciona
    pata os oficiais. Gostaria de saber com o reajuste
    como fica nossos salários. total bruto.

    meu endereço cabo.abraao@hotmail.com

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  4. Quem está de fora pensa assim como o Gilberto. Esquecem que o serviço é calculado em horas de serviço.
    Mesmo quando a escala é 2 dias por semana (24 X 72), não trabalhamos menos que um funcionário civil, pois trabalhamos no mínimo 44 horas semanal.

    Quando trabalhamos 3 dias (24 X 48). A coisa fica complicada, pois trabalhamos no mínimo 56 horas semanais.

    Vejam que por semana na escala de 24 x 48 trabalhamos 8 horas a mais do que qualquer funcionário civil, isto representa 6 dias a mais, quando sabemos que o civil trabalha 8 horas diária.

    Responsabilidade Zero? não entendi.

    Será que correr o risco de morrer, sair de casa sem saber se voltará, salvar vidas,... é ter responsabilidade zero.

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  5. Onde ele viu esse salário de 3,5 mil??? Gilberto, eu teria vergonha de falar do que não conheço, portanto cale - se se for para falar besteira.

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  6. é, responsabilidade zero, nao tem que se preocupar com nada a nao ser o serviço. oficiais trabalham até 72 horas por semana.
    duvido o sd querer ter a msma responsabilidade de um of.
    ja vi soldado que virou cadete, e desisiu de ser oficial pois nao queria arcar com as responsabilidades do oficial pois ele tirava seu serviço e ia embora pra casa e n tinha que se preocupar com absolutamente NADA fora isso.
    qlqer oficial tem q se preocupar com efetivo, alimentacao, serviço, ordens, escalas, instrucao, operacoes, planejamento, coordenacao, controle e fiscalizacao..... é mole?

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  7. Anonimo 02 says - Discordo da questão de responsabilidade zero. Vejo que ser policial ou bombeiro é estar disposto a arriscar a vida, a saúde e a integridade física constantemente. São eles que nos protegem dos desvios de conduta ou acidentes que ocorrem na sociedade. São de fato uma categoria muito importante. Merecem o melhor, pois a população também merece a melhor serviço de segurança possível.

    Contudo em uma coisa o outro anonimo está muito correto: essa história de ir, tirar o serviço e depois folgar e apenas isto. Falta comprometimento. Falta valores.
    Vejo propagandas governo do estado que falam de contratação de 600, de 1000 novos policiais... eu desconfio da qualidade da formação destes homens. Nem imagino o que um policial vê numa formação, mas acredito que não é fácil nem barato. Munições, armamento, locais para treinar abordagens, simulados de operações de invasão, conhcer todos tipos de arma letal e não letal...
    E um profissional mal formado, em qualquer âmbito da sociedade, dificilmente se ajeita ao longo da carreira.

    O canindé se comparou com civis... mas pensei que vcs fossem militares! Por serem militares é que vcs tem várias outras condições que um civil não tem. E fica aquele jogo de insatisfação: O civil querendo alguns benefícios que os militares tem e os militares querendo apenas o que a CLT oferecer e for vantajoso. Normal.

    A sociedade olha a segurança pública e nada exerga. Não vemos policiais nas ruas, não existe policiamento ostensivo (aliás, as blites são o único serviço policial que vejo constantemente, suponho que estes policiais são mais 'dedicados' que os demais...), somos mal atendidos qdo queremos fazer um B.O., o bombeiro ou a samu demora a chegar...


    Aumento eu também quero. Ganho pouco e qualquer dindin na conta a mais é lucro. Trabalho bastante, faço cursos, me especializo para ser o melhor no que faço e conhecer bem minha profissão para, assim, o meu trabalho ser mais valorizado, poder alcaçar melhor postos onde eu trabalho. Tenho contas a pagar, família para sustentar... também quero um aumento sim.

    Agora, vamos refletir um pouco. Diante da qualidade do serviço prestado pela segurança pública, da formação que vocês tem, do comprometimento de vocês em alcançar as metas das corporações... qual o aumento que vocês realmente MERECEM? Vocês fazem por merecer que aumento?

    E dizer "Ah, mas eu trabalho mal por que ganho mal" não cola. É exatamente o contrário. O salário aumenta, outras despesas surgem, o dinheiro fica apertado de novo, e mais uma vez insatisfeito´, o profissional trabalha mal outra vez. O único lugar em que SUCESSO vem antes de TRABALHO é no dicionário.

    Olhem com sinceridade para dentro de sí reflitam se pelo o que você faz pela sua corporação quando está de serviço (ou em um trabalho qualquer) e como você faz o seu serviço, o torna MERECEDOR de um aumento.

    Agora saia da internet e volte a trabalhar!

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  8. Será que ser militar é ser escravo?
    Será que temos que trabalhar 24 horas por dia, todos os dias?
    Quando falei de civis, foi pra mostrar que não trabalhamos menos do que eles. Do contrário trabalhamos mais.

    Falta comprometimento? Falta valores?
    Será que o anônimo gostaria de passar 24 horas de serviço numa viatura e no dia seguinte não ter direito a descanso?

    As principais condições que os militares tem são:
    Detimento, prisão e exclusão.

    O anônimo desconhece totalmente o que é ser policial ou bombeiro militar.
    Eu sou bombeiro na Zona Norte, quando estou de serviço sou responsável por aproximadamente, 60 mil pessoas. Pois o grupamento tem 06 homens por dia serviço no combate a incêndios. Será que não faço por merecer?
    Outra coisa acesso a Internet no momento de folga. Nunca faltei um serviço. Tenho comprometimento e também faço cursos e me especializo.
    Procure conhecer o profissional militar estadual pra falar com conhecimento da causa.

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  9. Rodrigo Maribondo8 de março de 2010 08:41

    Muito bom ver que as pessoas estão participando do debate. Curioso é ver que as intervenções sempre se relacionam ao trabalho do Policial Militar.

    No meu parco entendimento é um grande indicativo do conhecimento que nossos colaboradores tem sobre segurança publica.

    Vamos nos informar sobre quem são os responsáveis pela falta de planejamento, organização e estrutura da Polícia e do Corpo de Bombeiros. A informação pode ser importante na hora do voto.

    Dizem que a grama do vizinho sempre á mais verde. Algumas das contribuições aqui postadas confirmam o ditado. Tanto o civil, quanto o provavelmente oficial que se escondeu atrás do anonimato.

    Coisas da internet.

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